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Centenário Darcy Ribeiro

O centenário de Darcy Ribeiro é uma data memorável e significativa, em especial para a Universidade de Brasília, mas para todo o desenvolvimento da educação, do ensino, da pesquisa, da ciência, da política e das causas sociais no contexto brasileiro. Desse modo, é imperioso ressaltar a sua trajetória marcada pela luta por uma educação transformadora e por um país melhor, sendo indispensável salvaguardar a memória e as marcas imprescindíveis advindas de sua atuação multifacetada.


Nascido em 26 de outubro de 1922, no estado de Minas Gerais, Darcy teve uma atuação emblemática como antropólogo, educador, pesquisador, escritor, etnólogo, político e membro imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele desenvolveu durante a sua vida uma trajetória múltipla, a qual ele comparava às cobras, no que tange à característica da troca de peles, já que assim como tais animais, ele realizava mudanças e, assim, agia vestindo pele de indigenista, pele de político militante, pele de educador, pele de antropólogo, independente das diversas formas que se vestia, o seu objetivo era comum, almejar à transformação nacional.


Darcy era inconformado e insatisfeito com determinadas temáticas, a exemplo da desigualdade, da ausência de incentivo à pesquisa nacional, da concentração de terra e do desrespeito com a diferença no que diz respeito ao campo cultural. Dessa forma, ele traça uma luta extremamente importante e, para isso, ocupa lugares relevantes para fortalecer os seus anseios, como o cargo de ministro da educação e da cultura e ministro da Casa Civil no governo de João Goulart.


Darcy é uma personalidade fundamental na estruturação das políticas de educação no contexto brasileiro, ele acompanhado de Anísio Teixeira visavam realizar uma universidade inovadora, haja vista que o Brasil contava com uma estrutura de ensino superior elitista, desatualizada, alheia ao desenvolvimento nacional e à participação dos estudantes de forma horizontal.


Darcy entendia o ambiente universitário de forma entusiasmante, compreendia a universidade como âmbito de estudos, de fomentos à pesquisa, de realização de projetos, um lugar de participação ativa tanto dos estudantes como da comunidade externa. Logo, a partir desse olhar visionário acerca do ensino superior, o qual reverenciava a criatividade, a pluralidade de ideias, a inovação científica e humanística, Darcy encontrava esperança de transformação social.


Consoante à educação, Darcy Ribeiro foi responsável pela fundação da Universidade Estadual no Norte Fluminense (UENF), no ano de 1991, e da Universidade de Brasília (UnB), em 1962, onde ocupou o posto de primeiro reitor da instituição. Além disso, foi eleito vice-governador do Rio de Janeiro, em 1982, e ocupou o cargo de senador no ano de 1990, quando contribuiu para a criação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira aprovada em 1996.


Conforme a sua pele de indigenista, Darcy Ribeiro atuou de forma perseverante para a causa indígena, ele realizou trabalhos de campo entre 1940 e 1950, o qual possibilitou conhecer etnias e a produzir trabalhos para a atual Fundação Nacional dos Índios (FUNAI), como sociólogo antropologista criou o Museu do Índio (1953) e participou da criação do Parque Indígena do Xingu. Darcy considerava a criação do museu como sendo a sua atuação mais importante no Serviço de Proteção aos Índios (SPI), atual FUNAI, vale pontuar que tal órgão recebeu o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), por ser o pioneiro no combate ao preconceito, na difusão da cultura e na promoção de respeito aos povos indígenas.


Sendo assim, Darcy foi símbolo de luta e defesa do Estado Democrático de Direito, da pluralidade cultural brasileira, de incentivo à educação inovadora e à pesquisa nacional emancipatória. Ademais, ele reivindicava e defrontava em prol das causas sociais e dos direitos dos povos indígenas. Desse modo, tendo em vista a sua trajetória, ele obteve reconhecimento doutor honoris causa das universidades: Universidades de Sorbonne, Copenhague, Uruguai, Venezuela e Universidade de Brasília. Tendo falecido em 1997, Darcy Ribeiro segue presente nas suas diversas contribuições ao cenário nacional, haja vista seu legado, ele deixou universidades, estudos de campo, livros, projetos, engajamento na defesa dos direitos indígenas, diários, filmes e artigos.


Portanto, faz-se necessário comemorar essa data, tendo em consideração a herança deixada por Darcy Ribeiro, para que as novas gerações possam conhecer e compartilhar da luta de Darcy por uma universidade, sociedade e país melhores. Dessa forma, a sua imensa e plural contribuição representa motivação e inspiração para o âmbito universitário hodierno, para os estudantes que ocupam lugares de ensino, pesquisa e extensão, para a defesa da educação, da ciência, da diferença e da coletividade. Além disso, incentiva o corpo discente a ter um olhar diversificado e solidário às causas sociais e, sobretudo, a desenvolver um agir político que vise atingir uma emancipação social.


“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. - DARCY RIBEIRO


Referências


UnBNotícias. Centenário de Darcy Ribeiro é celebrado. Da Secretaria de Comunicação da UnB, 2022. Acesso em: https://noticias.unb.br/112-extensao-e-comunidade/6104-centenario-de-darcy-ribeiro-e-celebrado

Museu do Índio. Centenário de Darcy Ribeiro reaviva memória sobre sua paixão e luta pelos direitos indígenas, 2022. Acesso em: https: //www.gov.br/museudoindio/pt-br/assuntos/2022-noticias-durante-o-periodo-de-defeso-eleitoral/centenario-de-darcy-ribeiro-reaviva-memoria-sobre-sua-paixao-e-luta-pelos-indigenas

Pró-Reitoria de Extensão e Cultura. ANO COMEMORATIVO DARCY RIBEIRO NA UERJ, 2022. Acesso em: http://www.anocomemorativo.uerj.br/





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